Thursday, December 31, 2009

come january

I want you more,
Than anyone ever wanted anyone before



a distância de um palmo foi mesmo suficiente para perder o chão ainda na introdução de dois mil e nove,

e tenho a certeza a bater-me à porta. insistente, fala alto e muito segura de si quando em tempos poucas certezas tinha na palma da mão para oferecer.

vem aí um ano zero, sem resoluções, depois de me teres oferecido um ano-mundo. daqueles sem números pares ou ímpares, um ano-mundo que não pode ser reconduzido a um nove no fim, porque afinal tratou-se sim de um mundo inteiro nascido depois de uma praça chuvosa. um mundo reciclado ou não reciclado, que se lixe copenhaga, mas que me abriu o peito como se fosse a primeira vez que respirasse sem ajuda, um ano já sem cheiros a mofo do passado que já não tenho químicos a oferecer-me paz induzida, um ano de amor que veio nos teus olhos e a profundidade que neles vive, que trouxe um pé descalço enrolado numa corda vermelha, imprevisível e marginal, sem regras escritas que o guiem, um ano-mundo que te cabe no peito, que contagiou o meu. e a corda vem com ele agora.

borro o papel e procuro as palavras. inútil é isso que faço, procurar-te em palavras que não chegam nem nos vestem das cores que somos por dentro, tu e eu. só contigo é que não me imito, diz o cohen. porque só contigo as palavras não precisam de floreados nem de vestes finas ou passas para saltarem para um novo ano zero. só contigo as palavras são foguetes de álcool e pólvora e sangue e amor e polaroids e paz da verdadeira que apertamos nas mãos que se confundem. não crescem, não fogem, são nossas e pertencem ao nosso ano e a um janeiro que me acordou a pele dormente, me fez nascer e me faz continuar a amar-te num novo janeiro daqui a umas horas.


I am what you are and not but me,
So hold me closer and don't ever let me
go

1 comment:

Z. said...

Depois de te ler fico com a incapacidade nata de dizer o que quer que seja, fico agradavelmente com o cheiro das palavras com o sabor das acções diárias, fico assim sentado à espera que me batas à porta e que ocupes o que é teu, que me ensines a crescer aos 34, que me ajudes a amar com cordas de cor.comecei por dizer que nada conseguiria dizer.vou-me calar.vou dizer somente que te amo.e sei que te chega.e sei que nos chega.31 Dezembro 2009 aos 11 meses de um passado recente.