Tuesday, January 5, 2010

Lhasa de Sela



li algures que a Lhasa de Sela queria ser um mito cantado.
diz-se que este é um canto de mitos, às vezes exagerados e demasiado fabricados, outras vezes dos involuntários que influenciam o nosso andar, que nascem por urgência e por sobrevivência, a explicar o sentido das gotas da chuva no vidro, têm de estar entre nós por aquilo que têm nas veias e que tem imperativamente de vir ver o mundo.
das mágoas mais graves e do canto mais sereno, menina nómada, demasiado jovem para nos ter deixado o legado. os legados não se deviam deixar aos trinta e sete.
demasiado jovem. dorida na profundidade de cada sílaba que entoava. ia buscá-la aquele sítio. mais à esquerda, isso. magoava, doía, e acalmava no fim a fazer lembrar o rouxinol do oscar wilde que durante noites seguidas cantou o amor que a morte não leva com espinhos a ferirem-lhe o coração.
ficará como um mito dos mais bonitos, dos reais dos que vivem connosco e passaremos a outros, aos que ainda a sua voz não tinha tocado ou chegado. os mitos têm que ser partilhados.




Con toda palabra
Con toda sonrisa
Con toda mirada
Con toda caricia

Me acerco al agua
Bebiendo tu beso
La luz de tu cara
La luz de tu cuerpo

Es ruego el quererte
Es canto de mudo
Mirada de ciego
Secreto desnudo

Me entrego a tus brazos
Con miedo y con calma
Y un ruego en la boca
Y un ruego en el alma

6 comments:

Rosa said...

justa homenagem esta. muito bela também.

Rui Coelho said...

ela dizia que encontrava um conforto especial nas canções tristes, um conforto feliz, falava de felicidade, mas se um dia tiver de explicar a alguém quem ela era, vou começar pela la frontera do segundo disco, um arco-íris cantado, é como a recordo.

RedPill said...

Ouvi pela primeira vez "La Llorona" há mais de 10 anos... foi a primeira vez que o castelhano cantado me pareceu verdadeiramente bonito...
Como as suas palavras e a sua voz se transformavam na coisa cantada... é difícil explicar tal expressividade... só mesmo ouvindo...

He venido al desierto pa irme de tu amor,
¡Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor!
He venido a este centro de la nada
pa gritar,
Que tú nunca mereciste lo que
tanto quise dar...
¡Que tú nunca mereciste lo que
tanto quise dar !
He venido al desierto pa irme de tu amor,
¡Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor!
He venido a este centro
de la nada pa gritar,
Que tú nunca mereciste...

He venido yo corriendo,
olvidándome de ti,
¡Dame un beso pajarillo
no te asustes colibrí !
He venido encendida al desierto
pa quemar,
Porque el alma prende fuego
cuando deja de amar...
Porque el alma prende fuego
cuando deja de amar.

He venido yo corriendo olvidándome de ti,
¡Dame un beso pajarillo,
y no te asustes colibrí!
He venido encendida al desierto
pa quemar,
Porque el alma prende fuego...

He venido yo corriendo olvidándome de ti,
¡Dame un beso pajarillo,
y no te asustes colibrí!
He venido encendida al desierto
pa quemar,
Porque el alma prende fuego cuando
deja de amar...
Porque el alma prende fuego cuando
deja de amar...

He venido al desierto pa irme de tu amor,
¡Que el desierto es más tierno
y la espina besa mejor!
He venido a este centro de la nada
pa gritar,
¡Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar !
He venido yo corriendo olvidándome de ti,
¡Dame un beso pajarillo,
y no te asustes colibrí!
He venido encendida al desierto
pa quemar,
Porque el alma prende fuego...

Este mundo está mais deserto...
Que descanse em paz...
Nós ficamos...

Tempus_Fugit said...

Na realidade há uma extensa lista de legados deixados aos trinta e qualquer coisa. Tão extensa e absurda como este mundo.

R. said...

Muito bela... Não há conhecia até agora.

Um consolo para os olhos este blog, parabéns.

I. said...

Conhecia-a tarde e já sem tempo...
Fiz muitas aulas ao som de Lhasa. Uma maravilha.