Friday, February 5, 2010

salvation



em silêncio podes mandar-me calar grita o meu nome em espirais que nunca ouvi grita com violência porque também gosto e quando me tiras as lágrimas ao pontapé mas grita o meu nome em espirais porque nunca ouvi e quero ouvir eat me, drink me, make me grow cala-me assim com isto que eu deixo eu deixo sempre nem que me ponhas mais do que um dedo na boca e assim eu calo-me ou me beijas e me sugas a vida que ainda há e assim eu calo-me também mas hoje cala-me as tristezas e as confusões e as ansiedades diz-me que não faz mal o monopólio agora ser redondo e sem notas cala-me a força que já não há com um dedo enfiado no meu coração deixava que o pusesses ia saber-me a invasão perfeita cala-me já e põe-me a pele do direito para a tua chegada cala-me todos os queixumes e os treze anos que se apoderam de mim hoje apaga este giz negro com o teu corpo e sossega-me e vive-me todas as noites que eu deixo e só espero que me repitas e me deixes ficar no teu leito eu e as minhas veias no teu leito como se o teu leito já fosse delas como se a corrente delas só de ti dependesse cala-me com o teu corpo ele diz-me sempre que vai tudo ficar bem que antes não estava que um dia pode voltar a não estar que os vícios são uma merda que os joelhos se esfolam e ficam mais bonitos que o futuro é não saber nada desse passado mas ainda assim saber-te a ti e que a tristeza é fonte recorrente dos mais tristes poemas de insónias e das noites mais sozinhas dos que são selvagens no coração mas diz-me por favor diz-me que ficará tudo bem que nos vamos ter e voltar a ter e que não vais deixar a minha boca secar.

6 comments:

Rui Coelho said...

um dia destes continua.

Rosa said...

(agora sou eu)escreves bem que te fartas. dizes tudo. escreves ainda mais.

Tempus_Fugit said...

quase me faltou o fôlego... fez-me lembrar um rio revolto a tua prosa. tão assustador como belo.

Susana Miguel said...

e é assim que vamos respirando M.
muito belo mesmo, vem de dentro e tem força;)

zagalo0505 said...

Sem respirar fico eu cada vez que te leio fico com medo de responder o que quer que seja, calo-me, já cheguei, já te senti, calo-me para que consigas ouvir o meu amor.

Anonymous said...

como é que te posso conhecer?

primoroso. que bem... entorpeceste-me, tal foi o sentir.